Nina pergunta

Quando se está nessa profissão há muito tempo ou o tempo suficiente para conhecer vários perfis de pessoas tão diferentes, nós passamos a questionar e duvidar de tudo sobre relacionamento. Quando uso o pronome “nós” me refiro as minhas amigas de profissão que também compartilham desse pensamento. A ideologia do amor romântico foi corrompido. A gente passa a viver num mundo paralelo aos amores dos contos de fadas. E nessa busca por entender as pessoas, fui estudar e pesquisar as várias formas de amar, precisei disso para não generalizar tudo em putaria, porque é essa a cabeça de muitos monogâmicos, pensar que tudo que extrapola o relacionamento entre duas pessoas é basicamente pessoas “escrupulosas, sem carácter e sem responsabilidade emocional”. Não achei que seria justo caracterizar assim sem buscar referenciais diferentes dessa realidade padrão da sociedade atual.


Não é novidade para quem frequenta este blog que me atrevi a conhecer uma casa de swing e o que eu não contei ainda é que para mim virou a melhor opção de diversão nos finais de semana. Os casais adeptos tem singularidades interessantes e para cada casal o que vale são as suas regras internas, além claro, das regras gerais do swing, e o respeito que é a base de tudo.

Juntando essas pessoas com aquelas que normalmente contratam meus serviços e das minhas amigas acompanhantes é que me questiono qual o tipo de relacionamento ideal. Quando assumi um no início do ano, eu sabia que deveria manter a mente aberta para que ele também tivesse suas travessuras sexuais, uma vez que eu tinha a minha e mesmo que eu não tivesse, nós dois nunca nos bastaríamos numa relação monogâmica.

E aqui é onde eu quero chegar. O amor romântico tradicional necessita de exclusividade que logo gera uma ideia de unicidade, do ser único. Quando você descobre ou percebe (e isso é muito diferente e depende da ocasião) que o seu parceiro (a) sente atração por outras pessoas é normal sentirmos insegurança. “Não sou o suficiente para ele (a)?” ou “O que ele (a) tem que eu não tenho?” são os prováveis questionamentos.

Caminho para a terrível conclusão de que somos frágeis e narcisistas, pois é a mesma coisa que ignorarmos que existe outros tipos de vida em outras planetas. Achar que estamos sozinhos no universo é egocentrismo, da mesma maneira que crermos que somos suficientes e exclusivos para uma única pessoa eternamente. Entre tantos bilhões de humanos porque seríamos alma gêmea de uma única?

E por que deixar de conhecer outras? Alguém vai responder: “ah, porque a minha me basta”, e vai bastar até quando? E se você não for o suficiente para ela? Amar é deixar a outra pessoa ser feliz do jeito que ela precisa ou necessitar que ela ame somente a você?  

Se não existisse o politicamente correto das relações sociais amorosas e todos fossem livres, você preferiria amar coisas diferentes em pessoas diferentes ou tudo em uma única pessoa?  


P.S. Questionamentos de uma Nina perturbada (hahaha)

Comenta aí!

Beijos

CONVERSATION

15 comentários:

  1. “Se não existisse o politicamente correto das relações sociais amorosas e todos fossem livres, você preferiria amar coisas diferentes em pessoas diferentes ou tudo em uma única pessoa?”

    Se está utopia existisse..... acho que daria menos trabalho ter uma única pessoa com todas as coisas diferentes.... mas não sei ainda o que seria melhor

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    1. Nós, por natureza, estamos pautados no conforto, naquilo que nos faz gastar menos energia possível, então, claramente encontrar o pacote numa única pessoa facilita a vida.

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  2. Meu.. as filosóficas desse Sr Rondo estão quase melhores que os contos da Nina.. Tô no nível de vir primeiro ler os comentários dei pra depois ler os contos.. É uma pérola melhor q a outra.

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  3. Nina, eis aí o grande questionamento: pq o casamento tenha que ter como base o sexo?... O sentimento de amor é da alma, uma necessidade do parceiro estar com o outro, ouvir e dar opinião, sentir-se plenamente satisfeito ao seu lado; sexo é físico, animal, uma necessidade fisiológica, que pode ser saciada com qq pessoa - gozou, acabou. Uma coisa não deveria ter relação com a outra: querer gozar se esgota, querer estar com uma pessoa que me deixa feliz em todos os outros aspectos, não !... Eis uma modesta opinião jurássica e nunca compreendida...

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    1. Não tem que ter né, até porque a base de um casamento até início do século XIX era o valor econômico e político. Essa construção do amor romântico pregado pelos filmes e contos de fadas é que instruiu uma ideia de que um casamento é o resultado de um combo perfeito (amor e sexo). Concordo com você, não precisa, mas isso também não quer dizer que os casais devem cair no ostracismo e viver na mesmice. Dá menos trabalho aprender juntos do que cada um buscar opções foras e inevitavelmente se frustrarem. Para o homem é mais prático buscar sexo fora do casamento, pois essas caixas são bem divididas na cabeça de vocês, por outro lado, vocês sabem que não é assim para a maioria das mulheres, ainda que essa mentalidade feminina esteja mudando, ainda falta um longo caminho de frustração.

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    2. De vero... sim e não ! - Sim, de fato, a mulher tem mto maior dificuldade para buscar o prazer (sexual) fora do casamento. Não, não é mais prático para o homem assim proceder. Sim, a mulher, instintivamente, segue a lei da natureza: o sexo tem como único objetivo a procriação, o continuar da espécie, e ela - a mulher, comanda o mundo.... eis que, ordenada e obedientemente, libera uma única (raramente mais que isso) oportunidade a cada 28 dias para que se origine a sua prole, sem que disso ocorram, necessariamente, os prazeres do ato. Ao homem foi dada a busca incessante pela continuação da sua espécie, e ele libera, a qq tempo, milhões de possibilidades a cada ejaculação. Ao homem o prazer é o seu consciente; à mulher o prazer é o seu sub-consciente. Sim, para a mulher é mto mais difícil a procura do prazer fora do casamento; não, para o homem isso tb é difícil pq para o homem de bem a traição é um martírio. Eis aqui, então, a ponta do gargalo: ao trair, o homem busca o prazer, e se frustra, pq está mentindo para a mulher que ama, enqto a mulher, querendo o prazer há mto esquecido no casamento, se retrai, não querendo mentir para o marido, e tb se frustra... Então, onde reside a interrogação maior?... ( assunto a ser dissecado por longo tempo, longe de olhares alheios,não?... robcruzoe@yahoo.com.br)

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    3. Renatosobral

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    4. robcruzoe@yahoo.com.br

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    5. Tudo ficou bem mais claro agora!!! Ou não?

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    6. Juro que achei que estava indo bem, até dizer “homem de bem” eu juro!

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  4. Gostava de um dia visitar uma casa de swig. Provoca-me uma grande curiosidade

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  5. Nossa! Pois é desse jeito Nina. Cheguei certo dia a pensar que seria diferente dos demais seres humanos, por pensar justamente da maneira que vc descreveu. Vejo que não sou exceção.
    Adorei!!!!

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